Apedrejamento do ônibus do Santos pode gerar punições ao Boca Juniors? Especialistas avaliam

Não é novidade que os times brasileiros sofrem quando vão jogar em outros países, em especial na Argentina, pela Copa Libertadores. Nas últimas edições diversas situações reforçam isso foi reforçado novamente nesta quarta-feira, 6 de dezembro. O ônibus do Santos foi alvo de um ataque com pedras na chegada da delegação ao hotel em que está hospedada após o empate em 0 a 0 como Boca Juniors, na La Bombonera, pela partida de ida da semifinal da Libertadores. O Lei em Campo ouviu especialistas sobre a possibilidade de possíveis punições serem aplicadas ao clube argentino pelo incidente.

“O artigo 9º do Código de Disciplina da Conmebol fixa a responsabilidade objetiva (ou seja, independente da aferição de culpa) dos clubes e das associações pelos danos causados pelo público presente e torcedores, tanto dentro, quanto fora (nas imediações) do estádio antes, durante e depois à partida em que são anfitriões. Com isso, existe sim a possibilidade do Boca Juniors ser punido pela entidade. Caberá ao clube Argentino, porém, ainda que não se livre de uma punição, buscar comprovar que cumpriu integralmente o Regulamento de Segurança da Conmebol, o que pode amenizar a sanção a ser aplicada”, avalia Pedro Juncal, advogado especialista em direito desportivo.

“Entendo que não cabe qualquer punição nesse caso. Primeiro porque foi um ato praticado em local sem qualquer relação com a partida. Segundo porque foi um ato individual, não coletivo. Caso a torcida do Boca Juniors, de forma coletiva, tivesse atacado o ônibus, mesmo que em outro local, seria possível pensar em punição. Não há como relacionar a equipe a esse ato de qualquer forma”, afirma Vinicius Loureiro, advogado especialista em direito desportivo e colunista do Lei em Campo.

O ataque foi relatado pelo clube e jogadores nas redes sociais: “O ônibus do Santos foi apedrejado quando chegava ao hotel em que está hospedado. A pedra acabou estilhaçando o vidro e poderia ter causado algum ferimento grave na delegação santista. Uma atitude lamentável que vai contra o tamanho do duelo entre duas das maiores equipes do continente”, diz o texto publicado pelo Santos.

Pelo Instagram, o volante Sandry divulgou uma imagem do vidro do ônibus trincado após o ato. “Libertadores é isso!”, disse o jogador. O atacante Kaio Jorge também relatou o que aconteceu: “Jogaram um tijolo no nosso ônibus”. O ato irritou dirigentes, comissão técnica e jogadores do Peixe.

“A postagem do atleta Sandry, dizendo que ‘Libertadores é isso’ pode complicar a situação para a equipe brasileira e para o próprio atleta caso algo semelhante ocorra no Brasil. Esse tipo de manifestação pode ser visto como um incentivo do atleta aos torcedores”, alerta Loureiro.

Esse tipo de situação não é “anormal” no futebol sul-americano e as punições, quando são aplicadas, geralmente são brandas. Em 2018, a final da Libertadores entre Boca Juniors e River Plate foi adiada e transferida para o Santiago Bernabeu, em Madrid, na Espanha, depois que o ônibus dos xeneizes foi atacado por torcedores dos millonarios na chegada ao estádio Monumental de Nuñez. A equipe de Avellaneda foi punida com dois jogos com portões fechados na edição de 2019 da competição continental.

Em entrevista ao jornal argentino Olé, o motorista do ônibus, Darío Rubén Ebertz, disse que o veículo foi atingido acidentalmente por um galho e não por uma pedra, como alegou os brasileiros.

“Não mintam, não mintam. Não sei por que as pessoas no Brasil geram desconfiança sem sentido … Era um galho. Chegava um caminhão com um contêiner na frente. Passou por onde fica o cassino flutuante, o caminhão chegou muito perto do cordão e bateu em um galho que veio até nós. Observe que [o vidro] está estilhaçado, naquela área não dá para bater em uma pedra e sair”, contou o motorista.

As duas equipes voltam a se enfrentar na próxima quarta-feira (13), às 19h15 (hora de Brasília), na Vila Belmiro, pelo jogo de volta das semifinais da Libertadores.

Crédito imagem: Santos/Divulgação

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