As virtudes do desporto

Por Mauricio de Figueiredo Corrêa da Veiga

Desde o ano de 2013 se celebra, em 6 de abril, o Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz, por decisão da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas.

A data foi escolhida em referência à realização dos I Jogos Olímpicos da era moderna, que tiveram início em 6 de abril de 1896, na cidade de Atenas. Neste ano de 2020, não teremos Jogos Olímpicos, pois, como já foi amplamente divulgado, a Olimpíada de Tóquio foi adiada para 2021 devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus.

A linguagem do desporto é universal e tem a graciosa virtude de abraçar todos os povos a até de suspender guerras em um verdadeiro espetáculo de confraternização mundial.

O papa Francisco fez questão de enaltecer os ensinamentos que o desporto proporciona e lembrou que neste momento em que muitos eventos foram suspensos, “surgem agora os melhores frutos do desporto: a resistência, o espírito de equipe, a irmandade desportiva e o dar o melhor de si mesmo”.

O momento é de reflexão! Depois que esta pandemia cessar não seremos mais os mesmos. Provavelmente a União Europeia deixará de existir, ou pelo menos poderá sofrer grande transformação. Seremos mais solidários e tolerantes (qualidades que o desporto nos mostra com larga frequência).

A Covid-19 nos mostrou que devemos deixar de lado o “eu” e pensar no “nós”, tal qual uma equipe bem entrosada. O trabalho do atacante fica dificultado e até mesmo impossibilitado se a bola não chegar aos seus pés. A “engrenagem” só funciona perfeitamente se cada um fizer a sua parte.

Infelizmente muitas vidas foram ceifadas e outras terão o mesmo destino. Neste momento é fundamental manter o equilíbrio entre corpo e mente, manter a rotina de exercícios físicos e também o mental.

O desporto tem um objetivo final: ajudar a formar e realizar o ser humano indicando-o o caminho para a felicidade, conforme ensina Manuel Sérgio. E o que é a felicidade senão a busca essencial da existência humana, o projeto fundamental de vida, conforme pregado por Aristóteles em Ética a Nicómano.

É curioso notar que na sua origem a atividade físico-desportiva constituía um processo de melhorar a destreza e a resistência necessária às lutas armadas. Ensina o professor José Esteves que a luta era uma excelente forma de preparação para o combate corpo a corpo, o lançamento de peso substituía as lanças e a cerimônia de encerramento dos jogos olímpicos era, durante séculos, a corrida com as armas.

Portanto, o que surgiu como forma de potencializar a guerra, atualmente é utilizado para celebrar a paz e unir nações difundindo valores de união e ética, ou seja uma verdadeira “escola de virtudes” conforme afirmado pelo Papa Francisco.

Sejamos fortes, pois tudo passa!

……….

Mauricio de Figueiredo Corrêa da Veiga é doutorando em Ciências Jurídicas pela Universidade Autónoma de Lisboa; professor a contrato da Universidade La Sapienza de Roma; membro da Comissão de Direito do Trabalho do IAB; sócio do escritório Corrêa da Veiga Advogados

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