Coronavírus e o Rei do Esporte

Por Mônica Saraiva e Sebastián Acevedo Vásquez

Constantes mudanças climáticas têm ocorrido no Planeta Terra, que são sentidas no nosso dia a dia. Em 2020 uma grande transformação veio em decorrência de um vírus, que tem impactado na forma de conexão entre as pessoas e o mundo. O coronavírus (COVID-19) virou uma pandemia que afeta diretamente a vida e a saúde dos seres humanos.

O fato é que este acontecimento nos leva a pensar sobre novas formas de colaborar com o Planeta para uma vivência mais sustentável e equilibrada. É a oportunidade de começarmos a refletir além do que nossos olhos estão acostumados a ver na correria diária.

Um dos fatores atingidos pelo Coronavírus (COVID-19) é o futebol. Considerado mundialmente como “Rei do Esporte”, também acabou perdendo neste momento sua coroa dentro e fora das 4 linhas. O efeito da pandemia está afetando diretamente o futebol profissional em diversos países, como os campeonatos e grandes eventos que foram cancelados. Há uma insegurança entre as pessoas que vivem em torno desse esporte, gerando um efeito dominó que impacta toda a indústria do futebol.

Diante desses acontecimentos, é hora de pensar em novas soluções. Há oportunidades para as organizações pensarem  no  esporte como fenômeno social  e cultural mais integral, através de  ferramentas que permitam desenvolver habilidades cognitivas, esportivas e gerar um ecossistema sustentável.

Compreendendo que o atual modelo econômico causa grandes impactos tanto nas conexões humanas quanto na natureza (como aquecimento global, relações centralizadas, insegurança no emprego…) torna-se possível gerar um modelo baseado na colaboração, cujo conteúdo gera valor nas pessoas, não destrói o Planeta e é consistente com os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável propostos pela ONU.

Assim, é importante pensar em um novo ecossistema no futebol para que aconteçam mudanças significativas. Por exemplo, a tríade: negócios + educação + consumo consciente. É possível unir esses três elementos para um mundo mais circular. Ao agir em 2020, podemos contribuir com um futuro mais consciente e responsável.

É hora de colocar a bola no chão e observar todas as ações possíveis a serem realizadas, onde a inovação e a tecnologia serão facilitadoras de novos conteúdos. Precisamos pensar além do Estádio, trabalhar em equipe, horizontalizar relacionamentos, redistribuir benefícios, democratizar o acesso à informação e evitar  assimetrias.

Dessa forma, desenvolver inovação social esportiva por meio de modelos sustentáveis ​​que acompanham o processo de transformação dos diferentes fatores que participam da indústria do futebol. Como Steve Jobs disse: “Você não pode conectar os pontos olhando apenas para a frente. Os pontos só podem ser conectados olhando para trás ”.

A reflexão desse pensador do mundo da inovação é ir em direção à origem das coisas, porque um povo que não conhece sua história, dificilmente entenderá seu presente. É essencial entender que o futebol era praticado antes de sua institucionalização e posterior a industrialização. Os povos que deram origem à nossa cultura, há muitos anos já jogavam algum tipo de jogo de bola.

Atualmente, quem joga não precisa necessariamente ser um jogador(a) profissional. Mas, se for, é importante saber o que acontece na área social, cultural e etc. Afinal, o futebol surge e se desenvolve ao longo do tempo acompanhado por diversos aspectos da sociedade. Um jogador (a) de futebol pode opinar e refletir além do jogo dentro de campo para que sejam formados futebolistas com pensamento crítico capazes de questionar e propor soluções ajudando as gerações mais novas.  O “produto  futebol” pode ser sustentável com a preparação  de todas as pessoas envolvidas.

Com esta pandemia do Coronavírus (Covid-19), é hora de respeitarmos a diversidade. O desafio é assimilar o esporte como um fenômeno cultural que nos permite gerar ferramentas. É uma oportunidade de se reconectar para trazer todo aprendizado dentro de campo para nossas vidas aqui fora. A solução não está apenas nas autoridades, está em cada um de nós também. É uma oportunidade de fazer parte do começo de algo novo, de algo diferente, de um futebol “ecomprometido”, como dizia o poeta chileno Nicanor Parra.

Para finalizar, deixamos aqui uma frase histórica para pensar sobre a prática do futebol e como podemos colaborar de maneira que nos permita contribuir para um ecossistema social.

“O futebol se joga no estádio? O futebol se joga na rua, o futebol se joga na praia, o futebol se joga na alma”,  Carlos Drummond de Andrade.

Vamos colocar a bola no chão, olhar ao nosso redor, pensar no próximo passo e desta vez vamos fazê-lo como um time. Nossa existência é determinada pelo nosso contexto. Nesta nova visão inclusiva do futebol e comprometida com os problemas sociais, ninguém fica para trás.

………. 

Texto de Mônica Saraiva, jornalista e fotógrafa (@monicasaraiva.silva), e Sebastián Acevedo Vásquez, ativista esportivo e empreendedor social (@homoludens3).

Fotos de Mônica Saraiva.

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