Impacto econômico do coronavírus para a indústria esportiva

Por Amir Somoggi

O mundo assiste assustado ao avanço do coronavírus (Covid-19) e seus impactos em escala global. Os efeitos do Covid-19, que já é considerado pandemia global pela Organização Mundial da Saúde estão trazendo junto dos milhares de casos em todas as partes do planeta, um estrago econômico brutal.

O impacto econômico negativo da pandemia e seus reflexos recessivos, assustaram o mercado financeiro. As perdas econômicas serão gigantescas e as bolsas derretem diariamente pelo mundo por conta disso.

E o esporte, como importante setor econômico, também já sofre fortemente . Estamos assistindo a competições serem canceladas ou prorrogadas. Partidas com portões fechados e ligas decidindo simplesmente paralisar suas atividades.

Todas as decisões implicam em perdas. Perdas aos times, ligas e jogadores, mas também a toda uma cadeia produtiva que é impactada pelo alto grau de indução a diferentes setores econômicos.

Temos ainda os Jogos Olímpicos Tóquio que se avezinha, o maior evento do planeta que neste momento não tem a menor condição de ser realizado. A Eurocopa já foi alterada para 2021.

O Rio de Janeiro em 2016 recebeu mais de 500 mil turistas estrangeiros, sem falar nos milhões de turistas domésticos, atletas, profissionais de diferentes setores e imprensa.

Em Londres foram mais de 590 mil turistas estrangeiros. Neste momento a realização das Olimpíadas seria uma irresponsabilidade.

Pelos cálculos da Sports Value para cada US$ 1 gerado diretamente com uma liga esportiva, pode-se chegar a até US$ 2,5 produzidos em efeitos indiretos e induzidas na economia. Quanto mais desenvolvido o mercado mais próximo deste índice. É o efeito multiplicador que faz do esporte um mercado único.

A maior força do esporte é aglutinar interesse e arrastar multidões. Esse impacto que pode chegar a 2,5 vezes a receita direta só é possível graças a seu dinamismo e emoção, que induz a economia e alavanca cidades e até países.

Quando um torcedor compra um ingresso e vai a um espetáculo esportivo, seus impactos vão muito além do que gastou na compra da entrada.

Há impactos em uma cadeia produtiva imensa, que inclui o transporte, comida, bebida, entretenimento, compra de produtos e claro arrecadação de impostos.

Mas, afinal, qual o impacto econômico de tudo isso?

Segundo análise da Sports Value, o mercado global de esporte movimenta US$ 756 bilhões anualmente. Este é o valor direto movimentado pela Indústria, na prática o volume é muito maior.

Se amplia para setores próximos do esporte, o volume ultrapassa os US$ 840 bilhões anuais.

EUA são responsáveis por cerca de US$ 420 bilhões, a Europa por outros US$ 250 bilhões.

China, mercado que mais cresce no esporte global, fatura cerca de US$ 150 bilhões anuais e projeta ou projetava que sua Industria Esportiva atingisse faturamento de US$ 350 bilhões em cinco anos.

Faturamento Global – Indústria Esporte – US$ bilhões

Fonte: Sports Value

A maior fonte de receitas da Industria é o varejo esportivo, que representa mais de 1/3 dos negócios globais.

O esporte profissional, embora não seja a principal fonte de receitas é sem dúvida a que mais impacta a cadeia produtiva., com seus jogos, patrocínios, direitos de TV, transferências de jogadores e seu alto caráter midiático e empregatício. E obviamente seus impactos indiretos e induzidos.

Assim, uma partida com portões fechados, o cancelamento de competições ou mudanças de calendário, impactam diretamente toda a Indústria. O mercado de estádios e arenas movimenta mais de US$ 50 bilhões por ano, mais até que os direitos de transmissão, que movimentam outros US$ 49 bilhões.

Faturamento Ligas – Estádio e Arenas – US$ milhões

Fonte: Sports Value

As perdas serão inevitáveis. Ganhos projetados serão anulados, receitas despencarão, haverá menor impacto para os negócios dos patrocinadores, menor fluxo de turistas, enfim uma recessão pesada para todos os envolvidos com esporte.

Por conta disso, perguntei para a economista que respeito muito, Mônica de Bolle, sobre como minimizar as inevitáveis perdas da Indústria Esportiva, que já vive a realidade de portões fechados e cancelamentos e suspensão de competições.

Segundo Mônica de Bolle, “Os governos, o que já está acontecendo em outros países, vão precisar dar apoio direto aos setores mais afetados pela epidemia. Entre eles estão: esportes, entretenimento e turismo, tanto de lazer como a negócios”.

E ainda prossegue: “Este apoio governamental se faz com injeções de liquidez, crédito facilitado, subsídios e isenções fiscais”.

Sem dúvida sábias lições que temos que entender, assimilar e compreender rápido no Brasil, já que em breve nosso setor esportivo deve viver realidade similar à Ásia, Europa e EUA.

……….

Amir Somoggi é sócio-diretor da Sports Value e tem mais de 20 anos de experiência em análises financeiras e mercadológicas no esporte.

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