A gestão social, ou a falta dela

Ninguém tem dúvida de que o futebol é o esporte mais popular do Brasil e que melhor remunera seus praticantes, porém, os bons salários chegam a menos de 5% dos jogadores.

Segundo a Sport Values, esse esporte movimenta no Brasil aproximadamente 15 bilhões de reais, mas 40% desse valor ficam com os clubes. Por problemas gerenciais, o futebol brasileiro não alcança o patamar do futebol europeu, que tem qualidade dentro de campo e estrutura organizacional fora dele.

Mudanças na legislação fizeram com que os recursos oriundos de transferências de jogadores de futebol fossem destinados aos clubes que investiram e participaram da evolução de cada atleta. O objetivo foi fomentar o investimento em categorias de formação.

Quando se fala em categorias de base ou clubes de formação, a exigência legal é que o clube não só possibilite ao jovem jogador o desenvolvimento técnico e tático do futebol, mas também incentive e exija disciplina, respeito, trabalho em equipe e bom desempenho escolar.

Mas será que isso está sendo cumprido?

A responsabilidade, quando se fala em bilhões de reais todos os anos circulando no Brasil por causa do futebol, é muito grande. Pouquíssimas atividades comerciais atingem esses números. Como diz Stan Lee, com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.

Programas de integridade estão cada vez mais em destaque no mundo da bola. Compliance é a pauta das reuniões de clubes e instituições de administração do esporte que buscam mais transparência e ética para transformar a gestão e ter mais lucratividade e produtividade.

Contudo, compliance abrange comportamentos que vão além das leis e normas internas; é sustentabilidade e responsabilidade social. Pensar no outro também é estar em conformidade.

Sabemos que muitos atletas profissionais de alto nível que tiveram a chance de ganhar fortunas nas suas carreiras, após a aposentadoria dos campos, perderam todo o patrimônio, ficando até mesmo sem moradia. Sem mencionar a situação de seus companheiros de base que nem sequer tiveram essa oportunidade.

As instituições precisam focar no cidadão para depois focar no atleta. As exigências legais devem ser rigorosamente fiscalizadas para que esses garotos sejam bons cidadãos e alguns poucos deles também sejam bons jogadores de futebol.

Isso é responsabilidade social, isso é compliance de base.

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