A lei da mão

Desde criança aprendemos que futebol se joga com os pés (com a devida vênia aos goleiros). Para aqueles que jogam futebol desde pequeno, uma vez que encostamos a mão na bola durante uma “pelada”, todos gritam: mão! O que invariavelmente sucede é uma discussão sobre o incidente. É falta ou não é? Foi intencional ou não foi?

Se a confusão existe no âmbito das partidas de futebol informais, peladas, futebol amador etc., imaginem no futebol profissional. A regra existe para solucionar disputas, bem como para orientar quem deve interpretar o lance em si, ou seja, os árbitros (leia-se os árbitros de vídeo também). Porém, o que acontece quando uma nova regra ou orientação interpretativa vai longe demais? O que resta para os profissionais do esporte?

Vejam a questão sob a ótica inglesa. Na última rodada da Premier League, pelo menos duas partidas tiveram lances polêmicos e definidores de placar (o mais surpreendente foi o do jogo entre Brighton x Manchester United: no último lance da partida um lance polêmico e potencial pênalti. O árbitro já havia apitado o fim da partida mas foi verificar o VAR. Concluiu por conceder a penalidade máxima ao United que, converteu e acabou vencendo o jogo). A frustração dos jogadores, dos técnicos (quase todos se pronunciaram sobre a questão) e da mídia foi quase unânime. Qual é o limite?

Tudo por conta da nova regra do handball, “mão” em inglês. Em teoria, de nova a regra não tem nada posto já estar em vigor desde a temporada passada. Porém, parece que os árbitros da Premier League iniciaram esta temporada determinados a serem mais rigorosos na interpretação dela. O jogador é penalizado se:

i. A mão / braço está claramente longe do corpo e fora da “linha corporal”;

ii. O jogador claramente se inclina para o caminho da bola;

iii. A bola percorre alguma distância;

iv. A bola toca mão/braço que está claramente levantado acima da linha do ombro;

v. O jogador cai e a mão / braço é estendido lateralmente ou verticalmente para longe do corpo (como no famoso pênalti do Thiago Silva);

vi. Um desvio na trajetória da bola não faz diferença para a bola tocar uma mão/braço que está claramente estendido para longe do corpo e / ou acima da linha do ombro; e

vii. Imediatamente após tocar a bola com o braço, mesmo acidentalmente, o jogador marca um gol ou cria uma oportunidade de fazer gol.

Fácil, não é mesmo? Para complicar ainda mais, a IFAB (International Football Association Board), que determina as regras do jogo, definiu antes do começo desta temporada que a parte definidora entre ombro e braço é a linha onde inicia a axila. Podem acreditar. Imaginem uma linha imaginária de uma manga curta de camiseta. Onde termina a manga já seria “mão”.

A questão já gerou muita discussão, pontos perdidos na tabela e tempo elevado durante horário nobre da televisão em debates. Tamanha a paixão inglesa pelo beautiful game, como o futebol é apelidado pelos britânicos.

Tamanha a aversão à nova regra que a Premier League se preparada para pressionar formalmente a IFAB para uma mudança na lei da mão.

Segundo reportagem da BBC, entende-se que a liga deseja alterar seções da lei para abrandar a situação de agora em diante. Entende-se também que a liga já levantou a questão durante suas comunicações regulares com o diretor técnico da IFAB e ex-árbitro da Premier League David Elleray. A mesma reportagem também sugere que os próprios árbitros também farão um pedido pelo abrandamento da regra.

Porém, qualquer mudança ocorrerá apenas depois da assembleia geral anual da IFAB em março, antes de entrar em vigor para a temporada de 2021/2022.

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