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As novas regras do MMA norte-americano

Há algumas semanas, a Associação das Comissões de Boxe (ABC) aprovou, para o MMA nos EUA, novas regras importantes, visando melhorar a segurança física dos atletas em relação à modalidade, sem deixar de lado o entretenimento.

Nos combates de MMA, as regras relativas a golpes acidentais nos olhos faltas deliberadas por vezes prejudicam o lutador ilegalmente golpeado. Porém, novas medidas serão implementadas nesse sentido. Vamos a elas:

Quando um lutador é alvo de um golpe ilegal, acidental ou intencional, e recebe uma laceração da ação ilegal, o árbitro responsável, após marcar o tempo e colocar os lutadores em corners neutros, PODE chamar o cutperson[1] designado (ou em shows regionais usar segundo, sem permitir instruções para os atletas por parte deste) para o corner dos lutadores lesionados para entrar na arena durante o intervalo de 5 minutos e tratar o corte para ajudar a estancar o sangramento e, quando liberado pelo médico, retornar à ação, não decorridos mais de 5 minutos. O cutperson só pode trabalhar no corte ou cortes associados a essa falta específica.

De acordo com a nova regra, quando ocorrer uma falta – seja um choque de cabeças ou um golpe ilegal de algum tipo que resultar em um corte, os lutadores agora terão até cinco minutos para se recuperar desse corte. Durante esse tempo, um cutperson poderá entrar na arena de combate e cuidar do ferimento. Ele não pode cuidar de mais nada, apenas do ferimento.

Nas regras antigas, o lutador tinha que retomar a luta, chegar ao final do round e só então a pessoa cortada poderia ter o corte tratado. Agora, isso foi mudado para dizer que a pessoa que sofreu o corte pode cuidar do ferimento imediatamente para dar ao lutador uma chance melhor de continuar.

A próxima regra alterada visa a questão da clarificação do tratamento das dedadas nos olhos durante um combate.

Hoje no MMA, quando ocorre uma dedada no olho, é pedido um desconto de tempo e o lutador tem até cinco minutos para recuperar, porém a nova regra traz uma forma diferente de se lidar com esse tipo de lesão.

A partir de agora, os árbitros podem dar uma compressa fria para o lutador lesionado colocá-la no olho e dar-lhe dando algum tempo para recuperar, entre 60 e 90 segundos. Só então o médico do ringue deve entrar e, se possível, o médico não deve imediatamente apontar uma luz para o olho do lutador e perguntar se este consegue ver, pois a resposta é muitas vezes não, já que eles não conseguem ver imediatamente (e a luz pode inflamar ainda mais o olho lesionado), fazendo com que o combate seja cancelado.

Portanto, a nova regra foi concebida para dar ao lutador algum tempo para recuperar e dar-lhe uma ferramenta para o auxílio, deixando o médico a possibilidade de uma avaliação do atleta, sem que lhe seja perguntado imediatamente sobre a sua visão.

As próximas regras modificadas foram as seguintes:

Um lutador nunca deve ser autorizado a melhorar sua posição com base em uma falta. Quando um lutador que está em posição de desvantagem comete uma falta e o árbitro precisar interromper a ação – se isso puder ser razoavelmente realizado – os lutadores devem retornar às suas posições após o tempo ser gasto para a advertência, exame médico ou dedução de pontos. Quando um lutador que está em posição de vantagem comete uma falta e o árbitro precisar interromper a ação para uma advertência, exame médico ou redução de pontos, o lutador que cometeu a falta deverá perder sua posição de vantagem quando o combate for reiniciado. Observe que os termos “vantagem” ou “desvantagem” nem sempre equivalem a estar “por cima” ou “por baixo”. Um exemplo seria um lutador cuja estratégia é evitar se levantar e puxar o oponente para a guarda para aumentar as chances de finalização. Se o lutador de cima cometer uma falta, pode ser mais apropriado devolvê-lo à posição de solo, ficando este por baixo.

A regra diz respeito ao posicionamento do árbitro após uma falta. Os árbitros agora têm o poder de posicionar os lutadores adequadamente após uma falta para garantir que nenhum deles obtenha uma vantagem injusta ou sofra uma desvantagem com o incidente.

A mudança de regra seguinte visa a interferência do árbitro no contexto de uma luta “mais passiva”, senão, vejamos:

O árbitro deverá levantar ou separar os lutadores quando nenhum deles for capaz de fazê-lo ou não demonstrar um esforço real, significativo e/ou sustentado para avançar no sentido de finalizar a luta por qualquer método. A simples manutenção do que pode ser percebido como uma posição superior não será considerada um esforço para avançar no sentido de terminar a luta nem motivo para uma oportunidade garantida de manter essa posição.

A regra define uma questão que por vezes é ventilada no MMA: não é suficiente que um lutador mantenha uma posição superior se não estiver tentando avançar, causar danos ou terminar a luta.

“Tentar ganhar evitando perder” é a frase usada pela comissões e é o que se tenta combater.

A nova regra incentivará mais ação e permitirá que os árbitros tenham mais poder discricionário para mudar as coisas quando uma luta estiver estagnada.

Há sempre a busca dos reguladores por maior consistência em todas as lutas, para que os atletas saibam quando precisam forçar a ação e não estão fazendo o suficiente.

Se aplicadas corretamente, essas três mudanças de regras podem ter um impacto significativo no MMA.

Crédito imagem: UFC/Divulgação

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[1] pessoa que trata os cortes

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