Atenção, menores! Como escolher seu empresário?

Os leitores assíduos do Lei em Campo já sabem que, no Brasil, a Lei Pelé prevê que o primeiro contrato profissional seja firmado somente a partir dos 16 anos. Via de regra, na Inglaterra (seguindo o regulamento da FIFA) a idade-chave também é 16 anos (na verdade, a partir de 1º de janeiro do ano em que o atleta completa 16 anos de idade), desde que o contrato seja ratificado pelos pais do atleta. Para mais informações sobre o tema, assista ao nosso vídeo Lei em Campo # 8.

Porém, é dever de todos, inclusive dos operadores do direito, a preservação e proteção dos direitos de menores, mesmo que informalmente. Assim, acreditamos poder contribuir um pouco mais durante uma das etapas mais importantes da carreira de um atleta, não importando a modalidade de esporte: a escolha do seu empresário.

Uma vez tomada a decisão de se profissionalizar, quais são os “requisitos” que menores (e suas famílias) devem observar para que tomem uma decisão mais bem informada sobre a escolha do empresário? Escolher o empresário correto não é garantia de sucesso na carreira. Assim como também não é fator determinante se o empresário não for bom. O atleta pode, ainda assim, ser muito bem-sucedido. Mas pode também perder grandes oportunidades, tomar decisões precipitadas e de curto prazo, com impacto direto na progressão da carreira. Portanto, escolher um bom empresário pode agregar valor, experiência e suporte ao atleta e à sua família.

Dessa forma, seguem aqui dez dicas para a escolha (mais bem-informada) do seu empresário:

1. Você prefere contato direto ou apenas para identificar oportunidades e negociar contratos? Alguns atletas preferem contato quase diários com seus empresários. Outros, apenas para identificar oportunidades de clubes e marketing, bem como participar das negociações contratuais.

2. Qual é a reputação do empresário? Muitos empresários têm websites próprios hoje em dia, mas será que eles dizem tudo por meio desses sites? Assim, torna-se muito importante realizar reuniões presenciais com o empresário e buscar informações (recomendações de outros atletas em que confie, se possível) para que se possa ter uma ideia de quem ele (ou ela) é e como seria trabalhar com ele(a).

3. O empresário é pessoa física ou jurídica? Se jurídica, quem ficará responsável pela prestação de serviços a você no dia a dia? O atleta deve ter confiança e gostar de trabalhar com todos os prestadores de serviço, muitas vezes funcionários, do empresário-empresa. Eles representarão o atleta para (quase) todos os propósitos da sua carreira. Isso também é válido para as famílias de atletas: as famílias interagem bem com o empresário ou funcionários do empresário-empresa?

4. Nível de experiência e conhecimento do mercado. Lembre-se de que as funções fundamentais dos empresários são identificar oportunidades e negociar contratos. Essas são habilidades e conhecimentos essenciais para uma boa representação. E tais características são desenvolvidas com a experiência.

5. Quais outros atletas são representados pelo empresário? Se outro atleta do seu clube já é representado pelo mesmo empresário, será que não haverá um conflito de interesse no desenvolvimento das carreiras de ambos (um em preferência ao outro)? Vale também lembrar que muitas vezes o número de atletas sendo gerenciados pelo mesmo empresário pode ser fator contraproducente. Muitos atletas pode significar pouco tempo do empresário para você!

6. Ser realista com os seus projetos vs. sintonia com seu empresário: será que vocês compartilham realisticamente o mesmo projeto para a sua carreira? Assim, se o seu empresário tem aspirações internacionais para você, será que ele tem conexões internacionais?

7. O empresário tem a possibilidade de encontrar oportunidades de marketing? É importante lembrar que, para atletas profissionais, há muito mais do que atuação em campos, quadras, pistas e tatames. Torna-se essencial encontrar um empresário que possa identificar oportunidades de marketing. Também é de extrema importância encontrar oportunidades de engajamento social por meio de instituições de caridade, projetos sociais e trabalhos voluntários que possam ser endossados pelos atletas. Há mais sobre engajamento social do que posts em mídias sociais.

8. O empresário tem registro na CBF (ou qualquer outra federação)? E qual é o valor da comissão cobrada por ele? Lembre-se de que a FIFA recomenda que a comissão seja de 3% do total da remuneração do jogador de futebol, mas que na realidade gera entre 5% e 10% (em contraste com empresários de Hollywood, que em geral ganham cerca de 20% da remuneração total dos atores e atrizes);

9. Transparência. Seu empresário deve ser transparente com você. Ele (ou ela) deve ser claro quanto à representação de outras partes que possam trazer conflito entre os seus interesses e os dos demais. Será que o seu empresário também representa o clube? Será que o seu empresário ganha duas comissões?

10. E, finalmente, leve o tempo que for para tomar a sua decisão. Não se deixe sentir pressionado para assinar com o primeiro empresário que aparecer. Considere os pontos acima. Converse com outros atletas. Investigue pela internet. Converse com a sua família.

Com essas dicas, esperamos que atletas em geral se informem melhor antes de escolher seus empresários. E, como sempre, no caso de dúvidas consulte um advogado. Lembre-se de que advogados estudaram no mínimo cinco anos e que são aptos a exercer a advocacia somente depois de passar em um dos exames mais difíceis do Brasil: o exame da OAB.

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