Lei chinesa limita acesso de jovens a jogos eletrônicos

Desde o primeiro dia deste mês a China endureceu as regras de acesso de jovens menores de 18 anos a jogos eletrônicos.

Além das mudanças no mercado dos games, essas regras já causaram impactos profundos no mercado do esporte eletrônico.

Deixa os garotos brincar

As regras que limitam o acesso de menores de 18 anos a jogos eletrônicos – especialmente os jogos online – na China não são novas.

Em 2018, para que a comercialização dos jogos pudesse ser aprovada, a China exigiiu que as empresas tomassem certos cuidados com os jovens. Isso fez com que as próprias empresas desenvolvedoras de jogos criassem mecanismos de identificar o jogador e sua idade, a fim de limitar acesso dele ao jogo.

A Tencent, por exemplo, chegou a criar sistemas de reconhecimento facial para que os menores não burlassem as regras usando contas de outros membros da família. Importante lembrar que o recurso do reconhecimento facial é amplamente utilizado na China nos mais diversos setores, inclusive câmeras nas ruas e estabelecimentos ajudaram no controle do distanciamento social daqueles que foram diagnosticados com COVID-19.

Em 2019, a China oficialmente criou as leis que limitam o acesso ao jogo. Naquele ano a China criou uma espécie de toque de recolher nos games, onde menores de 18 anos passaram a ser proibidos de jogar entre as 22h até as 08h.

Além disso, já naquele ano, limitou o tempo de jogo semanal para 6 horas: 1,5 horas na sexta, 1,5 horas no sábado, 1,5 horas no domingo e 1,5 horas em algum dia da semana a escolha. Era possível flexibilizar essa limitação no caso de jogadores profissionais de esportes eletrônicos.

No mês passado a China decidiu endurecer essas regras, cortando pela metade o número de horas (apenas uma hora na sexta, sábado e domingo) e delimitou que o acesso só poderá ocorrer entre as 20h e 21h.

O início da aplicação da regra no dia primeiro de setembro já causou efeitos no mercado dos games. As ações das principais empresas Chinesas do seguimento já sofreram queda, as ações da Tencent e da NetEasechegaram a cair três pontos percentuais. E a limitação para jogar entre 20h e 21h está causando superlotação nos servidores dos jogos e as empresas ainda estão buscando soluções;

Apesar dessas regras, a China continua liderando o ranking no mercado mundial de games, seguido de Estados Unidos em segundo e Brasil em terceiro.

Impactos no Esporte Eletrônico

Mais uma vez as alterações no mercado dos games serão responsáveis por causar grandes impactos no mercado do esporte eletrônico.

Apenas na principal liga de League of Legends chinesa, mais de 31 jogadores tiveram seu contrato com clubes rescindidos por conta da nova lei.

O clube Top Esports, que estava classificado para as quartas de finais, perdeu 5 jogadores.

Além disso, também no mês passado, foi anunciado a mudança de última hora do país sede do Campeonato Mundial de League of Legends, que seria realizado na China e foi pra a Europa. No anúncio, a razão declarada foi a nova variante Delta do COVID-19, no entanto é possível que as novas regras tenham pesado nesta decisão, uma vez que diversos jogadores representantes de outros países possuem entre 16 e 18 anos.

Coreia do Sul vai na contramão

Enquanto a China, no mês passado, decidiu endurecer as regras que limitam o acesso dos jovens a jogos eletrônicos, a Coreia do Sul, pioneira nesse tipo de regulamentação, seguiu o caminho contrário.

A Coreia do Sul anunciou que a Lei Cinderela (como é popularmente chamada), criada em 2011 e limitava o acesso dos jovens aos jogos entre 22h e 08h será abolida e, em seu lugar, será aplicado o “sistema de escolha”.

O sistema de escolha permitirá que os responsáveis pelo jovem menor de 18 anos controlem o seu acesso aos jogos. A família poderá aplicar regras mais rigorosas ou até liberar totalmente o acesso.

O governo Sul-Coreano pretende revisar o Ato de Proteção à Juventude para que a transição possa ser feita até o final deste ano.

A Coreia do Sul é reconhecida como o berço dos esportes eletrônicos. Os jogadores do país estão entre os melhores na maior parte das modalidades.

A atenção do país para o mercado do entretenimento, especialmente o cinema, a música e o esporte eletrônico Sul-Coreano estejam em crescimento acelerado. O sucesso, até no ocidente, de filmes como Parasita, de bandas do gênero K-POP como BTS e BLACKPINK e de clubes de esporte eletrônico do país são prova disso.

No início do ano, a Coreia do Sul já havia criado norma que permite que artistas e jogadores profissionais de eSports pudessem ser isentos do serviço militar, obrigatório a todos naquele país.

Crédito imagem: Bloomberg

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