O status de celebridade a favor da comunidade

Não é de hoje que o status de celebridade provoca a admiração de muitos. A possibilidade de ser admirado por milhões, ser reconhecido mundialmente e ter estabilidade financeira são atributos geralmente associados a celebridades. Porém, tal status também traz o dever e a responsabilidade. Principalmente em momentos de crise.

No Brasil temos belíssimos exemplos de celebridades que adotaram postura madura e responsável durante esse período tão difícil e sem precedentes trazidos pelo Covid-19. Exemplos de caridade, compaixão e prestatividade. Como tudo na vida, há também exemplos deploráveis. No esporte temos também bons e maus exemplos de profissionais durante esse período. Poderíamos dedicar o espaço de uma coluna toda só para falarmos dos bons exemplos que temos no Brasil. Histórias realmente inspiradoras. Porém, nossa coluna serve o propósito de informar o que acontece na Europa, principalmente no Reino Unido.

Assim, não poderíamos deixar de escrever sobre Marcus Rashford esta semana. O jogador do Manchester United (e da seleção inglesa), de 22 anos de idade, é o nome estampado em todos os jornais como um verdadeiro herói. Sua campanha contra pobreza na Inglaterra persuadiu o governo britânico a mudar a política sobre merenda escolar durante as férias de verão deste ano. Sua campanha bem sucedida assegurou que cerca de mais de um milhão de crianças na Inglaterra poderão requerer merenda escolar mesmo durante as férias de verão. Modesto, ele disse à BBC que sua campanha auxiliou em assegurar comida para crianças por mais seis semanas até que possam “descobrir o que fazer na sequência”.

Quando o lockdown aconteceu, a política do governo britânico foi de fornecer ticket de alimentação, em substituição a merenda escolar, para famílias pobres durante o período de lockdown, porém limitado ao calendário escolar. Assim, não fosse a campanha de Rashford, milhares de famílias e crianças não teriam opção durante as férias.

A pobreza no Reino Unido é situação muitíssimo séria, apesar de pouca publicidade. De acordo com o jornal The Guardian, aproximadamente 14 milhões de pessoas estão abaixo da linha de pobreza. Mais de um a cada cinco pessoas da população britânica, das quais 4 milhões são crianças e 2 milhões são idosos. Um crescimento de 400 mil e 300 mil nos últimos cinco anos, respectivamente. Uma família é considerada pobre caso sua receita seja menor do que 60% da receita média de famílias do mesmo porte/tipo, depois de custos com moradia. Esses são os dados apresentados pela publicação em fevereiro deste ano. Com o lockdown com toda certeza este número aumentou consideravelmente.

Assim, a campanha de Rashford não só salvou vidas de milhares de crianças, mas também joga o holofote de volta à questão da pobreza no Reino Unido. De família pobre, Rashford explica que a sua mãe teve dificuldades para “colocar comida na mesa” para seus cinco filhos enquanto ele era adolescente. Em entrevista à BBC ele disse que sua mãe telefonou para ele “umas 10 vezes” enquanto sua campanha era mencionada na TV. “Foi bom vê-la sorrir”, disse Rashford.

Inspiracional, Rashford disse que isso é só o começo. Que quer continuar fazendo mais para aqueles em necessidade. Tomara que sim. Após essa belíssima vitória fora dos gramados, a discussão continua: o que é pior? Ser pobre em país pobre ou ser pobre em país rico?

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