Retrospectiva e expectativas para o esporte em 2021

Rafael Teixeira Ramos & Ana Cristina Mizutori

Ao final de todos os anos, os principais acontecimentos reúnem-se em uma retrospectiva. No ano de 2020, boa parte dos fatos trazidos no retrospecto continham a Covid-19 como causa ou consequência.

Em meio a tantas adversidades decorrentes da contaminação do coronavírus, tal como o impacto na economia, milhares de mortes no mundo todo, mudanças abruptas na rotina de inúmeras pessoas, outro efeito colateral foi capaz de atingir a muitos: incertezas diante de tantas mudanças.

Como forma de contenção da pandemia, mudanças foram imprescindíveis em todas as áreas.

No esporte, o Comitê Olímpico Internacional e o Japão decidiram pelo adiamento dos Jogos de Tóquio 2020; a edição 2020 da Maratona de Chicago foi cancelada pela organização de Atletismo; os principais campeonatos de futebol, masculino e feminino, nacionais e internacionais, tiveram suas partidas suspensas e retornaram, alguns meses depois, de portões fechados, sem presença de torcedores; a Major League Baseball cancelou o All-Star Game 2020; o 23º Campeonato Sul-Brasileiro de Kart foi adiado pela Confederação Brasileira de Automobilismo; as finais da Copa Davis (tênis profissional masculino) e a Fed Cup (tênis profissional feminino) foram adiadas para 2021; a Semana Internacional de Vela de Ilhabela contou com uma edição virtual, através de um simulador – “Virtual Regatta”.

Para contrapesar os impactos da pandemia do coronavírus e a queda brusca de receita com as paralisações das atividades, diferentes medidas foram adotadas.

Pelo governo federal, diversas medidas provisórias foram editadas com o objetivo de mitigar os impactos. Como exemplo, destaca-se a MP n. 936/2020 (Lei n. 14.020/2020), que permitiu a suspensão do contrato de trabalho e redução da jornada e do salário, conferindo aos empregadores maior flexibilidade no cumprimento das obrigações trabalhistas.

Interna corporis, no âmbito desportivo, as confederações também agiram em prol de atenuar as sequelas das suspensões e adiamentos, cancelamentos dos eventos desportivos. Por exemplo, a Conmebol antecipou o pagamento das cotas dos campeonatos, como forma de contribuir com a manutenção das entidades desportivas.

No início da pandemia, o mundo paralisou ante as incertezas do desconhecido, as indefinições de qual era o problema e a dimensão do que estávamos enfrentando.

No decorrer dos meses, como era de se esperar, os profissionais da área da saúde e órgãos públicos responsáveis obtiveram maiores informações sobre o diagnóstico e o prognóstico do vírus, bem como quanto à prevenção e aos cuidados para evitar a sua disseminação e possíveis protocolos de tratamento.

Atualmente, os veículos de imprensa brindam a população com notícias sobre o desenvolvimento de vacinas, cronogramas de aplicação e resultados parcialmente obtidos em países que já deram início à imunização em massa.

Nesse ínterim, do início desalumiado, que abalou o mundo com tantas informações precárias, inexatas e derradeiras descobertas, o mundo se ajustou dentro das limitações e possibilidades.

O esporte se amoldou levando em consideração a necessidade de levar o entretenimento ao público, como uma forma de auxiliar na saúde mental, além de preservar a saúde e condicionamento físico dos atletas e proteger as entidades desportivas do abalo econômico em cadeia.

Da súbita diminuição de receita das empresas que integram o desporto como patrocinadores, à contração da exibição televisiva dos eventos desportivos e perda do faturamento com bilheteria, os shareholders tiveram que se reinventar para manter a exploração econômica dos produtos advindos do esporte.

Muito embora o processo de imunização por meio da vacina seja, ditosamente, uma realidade, ainda assim, os reflexos das mudanças perdurarão e as respostas às insistentes incertezas devem ser pautadas em todas as tomadas de decisão correlacionadas ao desporto, bem como nas estratégias de gestão das atividades desportivas e seus díspares produtos.

Mais uma vez, as circunstâncias conduzem à conclusão de que o esporte representa um pilar social importantíssimo e, portanto, diante de uma crise – sanitária, financeira, política, pode e deve ser readequado segundo a suas necessidades.

Diante de tantas variáveis para o ano que se inicia, resta uma constante: o esporte não pode parar. É benéfico aos torcedores consumidores, à economia, às múltiplas empresas que se associam direta ou indiretamente com o esporte e aos atletas.

Sendo assim, convém às entidades desportivas uma organização cada vez mais proveitosa e eficaz, preservando ao máximo os membros da comunidade desportiva, de forma a manter os campeonatos e demais eventos desportivos em plena atividade.

 

 

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