Torcida: um ativo interessado

Quando uma organização investe em boa governança e programas de integridade (compliance), ela busca não só melhorar os resultados e aumentar seus ativos. Ela também torna o negócio mais interessante para os seus interessados (stakeholders), sócios, parceiros, patrocinadores, etc. Mas e quando o seu principal ativo também são seus stakeholders?

Essa situação é exatamente a relação que a torcida tem com o seu clube de futebol. O seu principal ativo é também o seu principal stakeholder. Será que merece atenção?

É comum no mundo corporativo que antes de fechar qualquer parceria seja feito um estudo prévio sobre a empresa possível parceira. Esse estudo visa não só entender potencial alcance comercial dessa parceria, bem como, prever eventuais problemas que possam surgir, sejam eles reputacionais, financeiros, criminais, etc. É a chamada due diligence.

Agora, também no mundo do esporte, esse procedimento também passou a fazer parte do negócio, e melhor, praticada pelo seu ativo.

O mundo da bola funciona (deveria funcionar) exatamente igual o mundo corporativo.

Quanto maior for o seu potencial de crescimento, maior será o interesse de novos investidores e parceiros fazerem parte dessa relação.

Patrocinadores estão interessados em visibilidade, em consumidores, em vincular a sua marca a coisas boas sejam elas vitórias e/ou boas práticas. Se uma empresa ou um clube não tem esses diferenciais para oferecer, seus parceiros baterão na porta do concorrente.

Ao entender que o papel do torcedor não é apenas de pedir (as vezes exigir) que contratações ou demissões sejam feitas, mas também de cobrar mudanças nos escritórios dos clubes. Torcedores já buscaram até a justiça para exigir relatórios de seu clube a fim de evitar fraudes eleitorais.

Nos últimos tempos temos visto nas rodas de debates tanto na televisão quanto entre amigos um aumento significativo de debates sobre questões administrativas. O torcedor passou a buscar entender melhor como estão as contas dos clubes, se aquela contratação deve mesmo der feita ou não em razão do cenário financeiro do clube ou condições de seus estádios, centro de treinamentos e aí por diante.

 Investimentos em compliance e em uma boa governança são necessários para o combate à corrupção e a retomada da reputação ilibada das instituições e seus representantes. E também para a transparência e controle de todas essas movimentações.

O caminho para o esporte chegar onde precisa, que é o caminho da gestão profissional, da ética e da transparência ainda é longo e árduo. Mas com esses movimentos de torcidas organizadas para o bem de todos, incentivando as boas práticas em troca de mais apoio e consumo, certamente o esporte da gestão profissional terá sucesso no médio ou longo prazo.

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