Uma palavra da moda, mas que ainda sofre resistência no esporte: compliance

Compliance tem sido uma das palavras mais mencionadas quando o assunto é gestão esportiva, administração profissional e gestão transparente e comprometida. E não é à toa, ela se encaixa muito bem quando o objetivo for a melhora de performance administrativa, redução de riscos e custos, boa reputação… sem contar que atrai bons negócios.

O esporte vem mostrando que gestões temerárias exercidas por cartolas mal intencionados ou mal preparados estão fazendo com que clubes centenários e com histórias de vitória estejam passando por situações vexatórias perante os seus jogadores, funcionários, sócios e suas torcidas.

Tendo em vista que a legislação esportiva ainda não prevê qualquer tipo de punição para cartolas corruptos, o compliance tem mostrado, já há muitos anos no mundo corporativo, que essas ferramentas podem, sim, salvar uma empresa e garantir o seu futuro.

No mês em que se falou muito sobre clube-empresa e a transformação das associações esportivas para LTDA ou S/A, o problema da má gestão também pôde ser visto, não só no Brasil como no mundo. Importante destacar que, independentemente da natureza jurídica do clube, se mal gerido, os efeitos negativos serão os mesmo.

O compliance como ferramenta de gestão, de integridade, de transparência e governança é compatível nas gestões de clubes cuja natureza seja de associação, LTDA ou S/A. Ou seja, um programa de integridade funcionará em qualquer instituição em que os gestores estejam efetivamente empenhados em transformar o velho estilo do futebol nacional.

Nos últimos anos pudemos perceber que, ainda que lentamente, algumas melhorias foram feitas, não apenas em clubes, mas também em entidades que administram o futebol, desde a Fifa até federações estaduais.

Essas entidades que deram os primeiros passos para as mudança já perceberam que o mercado corporativo tem muito a ensinar aos gestores do futebol. Compras e vendas de jogadores, marketing, grande eventos em dias de jogos, estratégias de vendas de camisas e demais produtos são algumas das coisas que o futebol absorveu – e percebeu o quanto conseguiu crescer com isso. Programas de conformidade serão o próximo passo. É um caminho sem volta.

Em tramitação no Senado, o PL 68, cujo relator é o professor Wladimyr Camargos – estudioso e um dos principais pensadores do direito esportivo no Brasil –, traz o projeto da Nova Lei Geral do Esporte, que, dentre muitas melhorias, tipifica como crime a corrupção privada na gestão esportiva. Essa lei obrigará que as administrações fiquem mais transparentes, responsáveis e profissionais, podendo o cartola que cometer deslize moral ou legal responder pessoalmente.

Assim, o compliance poderia ser implementado em qualquer empresa pelo simples preceito ético de ser/fazer de forma honesta e certa, mas ele ainda agrega muitos outros benefícios que tornam o programa necessário em qualquer negócio.

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