#LugarDeMulher

Em homenagem ao Dia da Mulher, o artigo desta semana será sobre o papel da mulher no esporte olímpico e também no eSport.

Como autor masculino, é impossível entender completamente a luta diária das mulheres (e de qualquer outra minoria) contra a exclusão e abusos de todos os gêneros, porém, isso não impede que haja empatia.

Esse assunto já foi brevemente discutido aqui no eSports Legal quando falamos da Luta Contra a Toxicidade no Esporte Eletrônico e como as mulheres nesse meio são afetadas.

A discussão do artigo de hoje mostra como a forma com que as mulheres são tratadas no eSport pode prejudicar o reconhecimento de alguma modalidade como esporte olímpico.

A inclusão da mulher nos Jogos Olímpicos

A participação de mulheres nos Jogos Olímpicos foi tema controverso durante muito tempo, principalmente por conta do próprio fundador dos Jogos, o Barão Pierre de Coubertin.

Não demorou muito para que as mulheres começassem a competir no evento global. A primeira edição dos Jogos Olímpicos foi em 1896, e foi composta apenas por atletas homens, mas, logo na segunda edição, em Paris, em 1900, as mulheres conquistaram espaço em três modalidades.

Apesar da conquista da participação, as atletas femininas compunham apenas 2,2% do total de atletas.

Liderando uma forte corrente contra a participação das mulheres nos Jogos Olímpicos, Pierre de Coubertin publicou um texto na Revue Olympique, em 1912, dizendo que “essa semiolimpíada feminina é impraticável, desinteressante, deselegante e, adiciono sem hesitação, imprópria”. Completou descrevendo a Olimpíada ideal como “uma exaltação solene e periódica do atletismo masculino, baseada no internacionalismo e na equidade, exibido como arte e com o aplauso das mulheres como recompensa”.

Embora a corrente que ia contra a inclusão de mulheres nos Jogos Olímpicos fosse forte, a justiça social tem um aliado mais poderoso ainda: o tempo.

Ano após ano, as mulheres foram participando de mais modalidades, e o número delas em cada esporte também aumentou exponencialmente. De acordo com o Comitê Olímpico Internacional, na Olímpiada de 2016 o número de atletas femininas chegou a 45% do total.

 

A equidade dos gêneros como valor essencial do olimpismo e o eSport

Hoje em dia, o Comitê Olímpico Internacional leva a questão da equidade de gênero tão a sério que o item número 8 na lista de missões do COI na Carta Olímpica é o seguinte: “Encorajar e apoiar a promoção da mulher no esporte em todos os níveis e em todas as estruturas, com a ideia de implementar o princípio da equidade entre homens e mulheres”.

Nesse sentido também estão incluídas nos critérios para a inclusão de um esporte nos Jogos Olímpicos a “equidade de gênero no Conselho Executivo (ou o órgão de maior poder decisório) da Federação Internacional” e a “existência de uma comissão da mulher e uma representatividade da comissão no órgão com maior poder decisório”.

Dessa forma, caso alguma modalidade de eSport queira se tornar olímpica, é necessário que haja representatividade real de mulheres tanto dentro das competições quanto fora delas.

Transexualidade e hiperandrogenismo

Desde a edição de 2004, é permitido que pessoas transexuais possam participar dos Jogos Olímpicos, mas devem ser observadas algumas regras.

Em 2003, durante uma reunião em Estocolmo, a Comissão Médica do COI determinou as regras para a participação de atletas que passaram pela redesignação sexual, já deixando clara a necessidade da cirurgia.

Se o indivíduo passou pela cirurgia de redesignação sexual antes da puberdade, estará automaticamente aprovado para a participação nos Jogos.

Se o indivíduo passou pela cirurgia após a puberdade, poderá participar mediante algumas condições: a cirurgia de redesignação deve ser completa, incluindo genitália externa; reconhecimento legal; e terapia hormonal apropriada por pelo menos dois anos.

Em 2015, com início da validade a partir dos Jogos Olímpicos de 2020, a necessidade da cirurgia foi retirada, e a duração necessária da terapia hormonal passou a ser de um ano.

Junto com essas determinações, ficou estabelecido que o controle de quem pode ou não pode participar dos Jogos Olímpicos na modalidade feminina ou masculina observará tão somente os níveis hormonais, principalmente da testosterona.

Essa decisão acabou prejudicando atletas biologicamente femininas que têm níveis de testosterona acima do tolerado, principalmente aquelas que têm o distúrbio endócrino hiperandrogenismo, que faz com que o corpo da mulher produza mais testosterona.

Deixando de lado as opiniões pessoais, são essas as diretrizes do Comitê Olímpico Internacional.

Transexualidade e o eSport

Existem diversos exemplos de transexuais em modalidades eletrônicas, como Maria “Remilia” Creveling, que levou sua equipe à LCS-NA em 2016, primeira divisão do campeonato norte americano de League of Legends.

Outro exemplo histórico é o da jogadora canadense Sasha “Scarlett” Hostyn, que foi campeã mundial na IEM Pyeongchang 2018 na modalidade StarCraft 2, competição que contou com o reconhecimento do COI e integrou os Jogos Olímpicos de Inverno.

Entretanto, o assunto também é sensível ao eSport, pois, apesar de não haver nenhuma restrição para a participação de mulheres nas principais competições de esportes eletrônicos, existem ligas exclusivamente femininas.

Já houve inclusive polêmica envolvendo uma jogadora transexual brasileira, a Olga “olga” Rodrigues, que, após tratamento hormonal, ingressou em um time feminino de Counter-Strike.

A participação de Olga não agradou outras jogadoras, que se pronunciaram no Twitter contra a transexual e acabaram sendo dispensadas pelo clube do qual faziam parte.

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